

Aproveitando que estamos em plena Feira do Livro de Porto Alegre vou deixar uma dica de leitura que há uns anos atrás se encontrava nos saldos por muito pouco e que vale muito muito. "O amor de Pedro por João ou O dia em que Dorival encarou a guarda". É um nome comprido mas é esse mesmo. Esses dias a professora Regina Zilberman, que está ministrando uma disciplina sobre literatura e memória, nos pediu para ler este romance do gaúcho Tabajara Ruas e devo ter dado um pulo na cadeira, seria a terceira vez em que eu acompanharia as aventuras e tragédias de Marcelo, Hermes, Micuim e Bia. A incrível viagem de Sepé e do velho João Guiné rumo a um encontro heróico e incerto. A tensão de Dorival, Aninha e Alemão em Santiago do Chile. O orgulho e a dúvida de Josias - "O nome dele é Sepé Tiarajú, a Luz do Dia!"-, o idealismo e a loucura do padrinho Degrazzia. É uma estória sobre luta, política, liberdade, barbárie, mas essencialmente, é sobre amor, não especificamente o amor romântico, mas um amor ainda maior porque abarca também esse. Ouso dizer que é a história daquele amor pela vida ao qual o próprio capitão Rodrigo Cambará do Érico Veríssimo sempre se referia, aquilo que fazia a ele e gerações depois ao Doutor Rodrigo Terra Cambará dizerem: Como é bom estar vivo!
Se um dia nos encontrarmos, como um leitor atento, ele lerá nos meus olhos que a boa literatura tem muito a ver com esse entusiasmo dionisíaco de um João Guiné. Que ler os romances dele é apaixonar-se genuinamente por um livro. Que um ato de leitura, é sim, um ato de amor.
Leia, e lembre-se.